Últimas Notícias

COMUNICAÇÃO, A CHAVE

GESTÃO EMPRESARIAL

Data: 18/11/2014

COMUNICAÇÃO, A CHAVE

 


Comunicação, a chave




 


   Nas últimas edições, discutimos nesta coluna mensal o problema detectado por várias pesquisas recentes: o mercado financeiro subestima empresas com estratégias valiosas, cujos resultados sejam difíceis de prever.


   Esta subestimação deve-se tanto à complexidade das estratégias dessas empresas, como à falta de informações acerca do mercado delas, e da previsibilidade de suas receitas e do comportamento de seus custos.


   Diante disto, muitas vezes se sugere simplificar o complexo, mesmo que isto signifique expor a genialidade e o segredo da estratégia, sua singularidade e talvez minar sua capacidade de criação de valor.


    Foi assim que um dos sócios fundadores do fundo de hedge Trian, Nelson Peltz, defendeu que a PepsiCo deveria separar as operações de salgadinhos e bebidas em duas empresas. Isto porque as sinergias entre os negócios não estavam claras e levavam muitas vezes à má alocação de capital (com o que a direção da empresa não concordou,


publicamente).






Explicar a aferição de resultados pode clarear estratégias complexas






Desta forma, na avaliação de Peltz, a separação claramente facilitaria a compreensão dos analistas sobre a geração dos fluxos de caixa e a criação de valor pelo mercado (o que não foi refutado pela diretoria da PepsiCo).


   Podemos, no entanto, entender o dilema de forma diferente e enfrentá-lo, em vez de evitá-lo.


   Os gestores que acreditam em suas estratégias inovadoras não precisam desmantelá- las ou simplificá-las, mas podem tornar a informação sobre a aferição dos resultados mais acessível. Desta maneira, será possível ao mercado entender de onde virão os fluxos de caixa e o crescimento nos quais a empresa aposta. Com mais certeza acerca de tais questões, não haverá motivo para que se subestimem as idéias da companhia.


   Neste sentido, aqueles executivos podem explicar a estratégia sem necessariamente divulgar o segredo do sucesso; comunicar-se com qualidade e freqüência com o mercado, e disponibilizar pesquisas e seus resultados para os analistas. Com isso, possibilitarão a construção de expectativas com fundamento em resultados observáveis, comprovados. São os gestores que acreditam que a comunicação eficiente resolverá o problema.


   Se ainda houver resistência, a opção será encontrar investidores simpatizantes e que acreditam na empresa e em suas estratégias inovadoras. Isto pode até significar o fechamento do capital.


   Segundo Todd Zenger, há evidências de que as empresas com estratégias originais estejam se movendo nesta direção.


   O mesmo autor destaca que as companhias de private equity regularmente apóiam empreendimentos novos e altamente incertos, mais difíceis de entender e caros de avaliar. Este tipo de investidor permite que o gestor realize sua estratégia corporativa e revele seu potencial de criação de valor, beneficiando todos, inclusive os acionistas.


   Como saber se esta visão estratégica está mesmo correta, a ponto de comunicá-la e de se comprometer com seus resultados?


 


Fonte desta matéria: Revista Notícias da Construção , publicada por Maria Angelica Lencione Pedreti que é professora de Contabilidade e Finanças da FGV e mestra em Administração de Empresas; trabalha em Planejamento Estratégico


Mais Notícias