Últimas Notícias

VIDA ÚTIL

SOLUÇÕES INOVADORAS

Data: 13/04/2015

VIDA ÚTIL

Vida útil


SOLUÇÕES INOVADORAS






O plano de manutenção do edifício deveria ser elaborado pelo projetista






   Uma das exigências da Norma de Desempenho mais importantes e complexas é o estabelecimento da durabilidade dos edifícios e de suas partes.


   A durabilidade pode ser entendida como a capacidade de o produto manter suas características ou funções que lhe foram atribuídas, atendendo ao desempenho mínimo esperado ao longo de sua vida útil.


   Pode ser entendida também como um indicativo de caráter econômico da edificação para o usuário, pois está associada ao custo global do produto, considerando os custos iniciais, de manutenção, de operação e manutenção ao longo do tempo. Segundo a NBR 15.575-1:2013, “é a capacidade da edificação ou de seus sistemas de desempenhar suas funções ao longo do tempo e sob condições de uso e manutenção especificadas no manual de uso, operação e manutenção”.


   Um dos critérios para avaliar a durabilidade do edifício é o atendimento à Vida Útil de Projeto (VUP), definida na norma como sendo “o período estimado de tempo para o qual um sistema (produto) é projetado, a fim de atender aos requisitos de desempenho estabelecidos, considerando os requisitos das normas aplicáveis, o estágio do conhecimento e supondo o atendimento da periodicidade e correta execução dos serviços de manutenção pré-definidos”.


   O atual momento do setor da construção civil incitou a discussão sobre a durabilidade dos edifícios, tanto pela publicação recente da NBR 15.575, de outras três normas que tratam do assunto de manutenção e reformas (NBRs 5.674, 14.037 e 16.280), além do projeto de norma em discussão no CB-02 sobre procedimentos de Inspeção Predial, quanto pelo aumento no número de empreendimentos lançados nos últimos três anos, em razão de iniciativas privadas ou públicas, como o Minha Casa, Minha Vida.


   A alta demanda no setor da construção gerou escassez de mão de obra qualificada e, como consequência, alguns aspectos de controle da qualidade do projeto e da execução de obras foram negligenciados, o que, potencialmente, pode afetar o desempenho das edificações.


   No Brasil, existe uma carência de informações técnicas relacionadas à durabilidade dos edifícios e suas partes, bem como em relação aos períodos nos quais tais edifícios e suas partes precisam passar por atividades de inspeção e manutenção preventiva.


   Considera-se manutenção preventiva aquelas atividades planejadas e sistemáticas de prevenção que envolvem programas de inspeção, reformas, reparos, entre outros. Segundo o “Guia CBIC (2014) – Guia nacional para a elaboração do manual de uso, operação e manutenção das edificações”, manutenção preventiva caracteriza-se por serviços cuja realização seja programada com antecedência, priorizando as solicitações dos usuários, estimativas da durabilidade esperada dos sistemas, elementos ou componentes das edificações em uso, gravidade e urgência, e relatórios de verificações periódicas sobre o seu estado de degradação.


   Os edifícios no Brasil têm idades relativamente menores quando comparados a alguns edifícios europeus, mas ainda assim apresentam diversos problemas que afetam sua durabilidade. Em São Paulo, por exemplo, alguns dos edifícios multipavimentos com fachada envidraçada construídos no centro da cidade datam da década de 60 e 70, e não foram projetados considerando aspectos de vida útil e de manutenção preventiva. À época não havia a preocupação com questões de custo global e redução de impactos ambientais; assuntos pouco recorrentes neste período.


   Atualmente, são noticiados diversos casos de patologias nesses edifícios, muitas vezes consideradas graves. Nesse contexto, as atividades de manutenção corretiva são necessárias (aquela manutenção não periódica, consequência de falhas que já comprometeram o desempenho mínimo do produto), porém seus custos são, na maior parte das vezes, muito mais altos se comparados aos custos de manutenção preventiva e podem inclusive inviabilizar o processo de recuperação do desempenho do edifício.


   No cenário mais atual deve-se considerar, além da busca por redução de custos (incluindo os de manutenção) e de prazos de produção, o atendimento à VUP, uma exigência da Norma de Desempenho. Assim, visando o atendimento a critérios mínimos de durabilidade e baixos custos de manutenção, é essencial projetar considerando a vida útil do edifício e suas partes.


   Conhecer a vida útil ajuda a definir a periodicidade e os planos de manutenção preventiva, que envolvem também os programas de inspeção predial, sendo que os resultados da etapa de inspeção subsidiarão o desenvolvimento de planos de manutenção futuros.


   Por exemplo: uma fachada envidraçada para atender a VUP de 40 anos (critério este a ser definido pelo projetista, uma vez que a NBR 15.575 não se aplica a edifícios comerciais, que dependem também de outras situações como obsolescência), precisa passar por inspeções periódicas previstas no programa de manutenção. Entretanto, em razão da ausência de informações técnicas referentes à vida útil dos materiais e componentes, a periodicidade dessas inspeções é, muitas vezes, definida a partir da experiência do projetista.


   Em razão das exigências de desempenho e das definições de responsabilidades dos agentes do processo de produção de um edifício estabelecidas na norma, sugere-se que o plano ou projeto de manutenção seja desenvolvido pelo projetista, pois é ele o agente que especifica os componentes construtivos de cada parte do edifício e que detém o conhecimento, mesmo que empírico, da durabilidade desses componentes. Mesmo sendo a NBR 15.575 destinada a edifícios habitacionais, os conceitos de durabilidade, manutenção preventiva e custo global ali estabelecidos podem ser estendidos para outras tipologias de edifícios.


   Portanto, as informações sobre a vida útil dos edifícios e suas partes subsidiam o planejamento das inspeções prediais preventivas, as quais visam garantir os níveis mínimos de habitabilidade, segurança e durabilidade do edifício, ou seja, a inspeção predial visando a manutenção preventiva pode evitar falhas ou problemas patológicos graves, indicando serviços menos custosos do que os realizados na manutenção corretiva e, mantendo a VUP daquela parte do edifício.




NORMALIZAÇÃO




NORMA DE DESEMPENHO ABNT NBR 15575




Estabelece a VUP, considerando a necessidade de manutenção.




Nota - Interferem na vida útil: as características dos materiais e da qualidade da construção como um todo, o correto uso e operação da edifícação e de suas partes, a constância e efetividade das operações de limpeza e manutenção, alterações climáticas e níveis de poluição no local da obra, mudanças no entorno da obra ao longo do tempo etc.




NORMA DE MANUTENÇÃO ABNT NBR  5674




Explora os aspectos associados à gestão do programa de manutenção e apresentar um fluxograma de documentos e detalhamento das etapas de trabalho de responsabilidade de proprietários ou síndicos.


• O plano deve conter atividades de manutenção, periodicidades;


• documentos relacionados, normativas, recursos necessários, sistemas e/ou aos elementos, equipamentos;


• previsão orçamentária anual e previsão de recursos para serviços futuros. 




NORMA DE OPERAÇÃO, USO E MANUTENÇÃO  ABNT NBR 14037




Dá diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e manutenção das edificações.


• Orienta a manutenção para o primeiro proprietário e o síndico, através do Incorporador/Construtor


• Orienta o gestor da manutenção predial pela formulação de sequências de operação e planejamento;


• implantação do plano;


• necessidades e condições de controle e formalizando os registros de execução;


• direcionamento no arquivamento de toda a documentação gerada.




Fonte desta matéria: Revista Notícias da Construçãoi do SindusCon-Sp  publicada por LUCIANA ALVES DE OLIVEIRA que é engenheira civil, pesquisadora do IPT e docente do mestrado de habitação do IPT e por LUIZ FERNANDO BATISTA DA SILVA que é engenheiro civil, pesquisador do IPT e mestrando do mestrado de habitação do IPT


 

Mais Notícias